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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Poesia Matemática



Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.

Millôr Fernandes
|via Bibliotecar|

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A "Procissão" dita por João Villaret


A propósito da tradição do Compasso e da Visita Pascal , lembramos um poema de António Lopes Ribeiro, Procissão, declamado por João Villaret.
|via RBE|

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

quinta-feira, 31 de março de 2011

UM POEMA POR SEMANA

Já passou o Dia Mundial da Poesia, mas ela ainda anda aí.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Cesário Verde, Ruy Belo, Fernando Pessoa, Miguel Torga, Sá de Miranda, António Nobre, Alexandre O'Neill, Luís Vaz de Camões, Jorge de Sena, José Régio, David Mourão-Ferreira, António Gedeão, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny. O poema dito de segunda a sexta-feira por 5 pessoas. Uma à segunda, outra à terça, outra à quarta, outra à quinta e outra à sexta. O mesmo poema! Será emitido diariamente todos os dias úteis, em três horários: às 14, 18.30 e o último imediatamente antes do jornal. Os 'dizedores' são homens e mulheres, novos e velhos, falantes de português. Gente que tem em comum gostar MUITO de poesia.

"Um Poema por Semana" é uma ideia de Paula Moura Pinheiro. A série é composta por 75 episódios de cerca de três minutos cada.

Escolha dos poemas: José Carlos de Vasconcelos, jornalista com longa história na acção cultural em Portugal e director do clássico "Jornal de Letras";

Direcção artística, realização e cenografia: Paulo Braga, um criativo sénior do mundo da Publicidade;

Casting: João Gesta, o apaixonado inventor de Quintas de Leitura no Teatro do Campo Alegre, no Porto; e por Gonçalo Riscado, responsável pelo Music Box e pelo novíssimo festival de Slam Poetry, em Lisboa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

EXPOSIÇÃO VIRTUAL SOBRE ANTÓNIO BOTTO

Fotografias e documentos ilustram a vida e a obra do poeta de Canções

O site da Biblioteca Municipal António Botto apresenta uma exposição virtual sobre a vida e obra do poeta que nasceu em Concavada, concelho de Abrantes, a 17 de Agosto de 1897. Para aceder à mostra, basta clicar no pequeno ícone com a imagem de António Botto e posteriormente em "exposição virtual". O visitante pode ver fotografias da casa onde nasceu o poeta, de vários locais de Concavada, onde ele passou a infância, a trabalhar com o pai nos "barcos de água", e uma cópia do registo de baptismo, entre outras curiosidades. Pode também aceder a fotografias dos locais onde António Botto morou, como a Rua da Adiça, em Alfama, Lisboa, onde viveu até à idade adulta. Está também disponível uma imagem em que o poeta aparece juntamente com Fernando Pessoa, Raul Leal e Augusto Ferreira Gomes no café Martinho da Arcada; uma carta de Pessoa dirigida a António Botto, e também alguns dos seus poemas. O poeta morreu atropelado, no Brasil, em 1959, onde se exilara para fugir a perseguições de que fora alvo em Portugal por ter assumido a sua orientação homossexual.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SÍSIFO

Recomeça...Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII